Terça-feira, 30.07.13

Serenar quem acreditava, quem hesitava e quem não acreditava era necessário.

 

Precedeu à revolução dos cravos: nasceu onze anos antes. Olhava Santiago da Serra há pouco mais de um ano e raras vezes tinham sido as ocasiões em que ali se tinha deslocado antes de ir realizar o exame da quarta classe à escola primária principal da Vila, que continuava o alinhamento perfeito do edifício dos Bombeiros Voluntários. Tinha lá ido ao médico com o seu pai e fazer a matrícula no Ciclo Preparatório, e pouco mais. Só depois de ir para o primeiro ano do Ciclo Preparatório é que começou a descobrir Santiago da Serra.

Na sua seletiva memória persistiam momentos inapagáveis. Primeiro os amigos que ganhara, ganhara-os para a vida. E depois um acervo de memórias que foi guardando e que ia escrevendo conforme a vida lhe permitia.

Até 25 de abril de 1974 nada de especial reluzia em Santiago da Serra, que ele pressentisse. Depois desse dia um burburinho atravessou a pacatez do concelho. Curioso! De um momento para o outro tantos eram do contra e muito poucos eram fervorosos apoiantes do regime deposto.

Foi a primeira vez que lhe doeu o entendimento. Seguiu em frente. Assistiu nos meses posteriores a horrores bem piores e a metamorfoses da condição humana que pediam meças a um qualquer deserdado da fortuna.

A partir de 1976 tudo começou a regressar à normalidade, restando unicamente as feridas abertas pela malvadez praticada e sem honra nem dignidade, esta é aquela que demora sempre mais a curar ou nunca cura.

Os anos foram passando. Em Santiago da Serra pontificou a direita. A verdade é que não podia ser doutra forma. O concelho fora desde tempos imemoriais extremamente conservador, geneticamente nunca se configurara à esquerda, e não era uma revolução de esquerda que o ia colocar a votar nessa direção, a não ser que os senhores que titulavam as casas nobres e, na prática, detinham o poder, indicassem o voto à esquerda. Não o fizeram. Diretamente ou tacitamente não tinham tido problemas com o regime anterior e identificavam-se, obviamente, muito mais com um poder de direita no concelho. Assim sendo, Santiago da Serra firmou um poder de pendor social-democrata.

A direita governou durante 14 anos, deixando o poder quando o derradeiro presidente de câmara decidiu abandonar a causa pública. Dois candidatos dessa direita galvanizaram-se para conquistar a Câmara. A sorte coube ao candidato da esquerda. Uma maioria relativa deu-lhe a coroa de louros, firmando o poder da esquerda por 24 anos. Mas nem tudo é infinito: a lei fintou-lhe o campo de ação e obrigou-o a sair do jogo. Não sai porque quer, sim porque teve de ser.

Órfão, a esquerda fez avançar um candidato que não era mais que o herdeiro do ainda senhor de Santiago da Serra. Um erro crasso. Nem com o menino pela mão ele chegaria ao destino.

No jogo do regresso da direita ao poder, nessa terrível certeza, uma certeza que se foi jogando ao longo do tempo em Santiago da Serra e que se pressentia nos dois meses em falta, percebia-se a angústia da esquerda, pois o jogo praticamente estava jogado. Sim, digamos que estava jogado, mas era necessário cuidado, muito cuidado, cuidado e caldos de galinha, pois havia pedras no tabuleiro de xadrez que deviam e tinham de ser movidas com muita minúcia e sageza, tendo em conta uma multiplicidade de fatores. E acima de tudo, havia que conversar com todos, pois era fundamental não deixar ninguém infeliz. Por vezes basta uma palavra ou um simples sorriso ou uma frase de garantia no meio de mil frases que recheio um discurso. Serenar quem acreditava, quem hesitava e quem não acreditava era necessário.

Recordava com mágoa o fato do líder da distrital, à época, não ter tido a sabedoria capaz para dirimir as diferenças entre os dois candidatos de direita que ambicionaram a cadeira do poder em 1989. O seu gesto redundou na vitória da esquerda por 24 longos anos.

Obviamente que de nada adianta culpabilizar ou chorar sobre o leite derramado. Não, não é isso que fazia, o que fazia era história. Vinte e quatro anos era tempo suficiente para afirmar que havia erros que não mais deviam ser cometidos. Só isso. E o passado como um imenso espelho que se nos oferece devia iluminar o nosso presente, para dessa forma nos podermos projetar com dignidade no futuro.

Para terminar, será cruel ter o pássaro na mão e não o saber conservar por erros de cálculo, desvirtuamento de última hora ou quimeras impossíveis.

Sejamos pragmáticos: a política é a arte do possível, nada se inventa, há sempre a hora em que o líder tem a estranha função – porque só a ele esse poder pertence – de decidir. Quando é chegado esse momento, o resto nada importa, pois é um momento sagrado. E poder, é decidir.

 

In Zaida, José Carlos Silva

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Segunda-feira, 29.07.13

Na procissão do Senhor dos Aflitos (ontem)

publicado por José Carlos Silva às 13:44 | link do post | comentar
Domingo, 28.07.13

Sinais de alerta ou de futuro

Uma das coisas mais belas e singulares na vida de um ser humano é quando o tempo parece sobrar, isto é, o tempo adquire uma elasticidade surpreendente, permitindo toda e qualquer tarefa encaixar-se nesse intervalo padronizado, instituído, da durabilidade do dia: 24 horas.

Surgiu-me esta questão pela relevância aparente de me encontrar na grata situação de «nada fazer» ou dito de forma mais vernácula, de férias, o tal espaço temporal belo e singular em que tudo é possível e em que tudo se encaixa, pois o dia é incomensurável e cumpre todas as solicitações.

Assim sendo, o pensamento voa livremente e na suave pacatez dos dias estrutura o presente ancorando-se nas desditas ou nas alegrias do passado e firma-se no desenho da felicidade premonitória das conquistas do futuro. Inevitável que assim seja.

Há contudo um permanente sinal de alerta apontando para previsíveis riscos de percursos presentes e futuros e cuidando que os sinais de alerta se mantenham como se o futuro ainda não tivesse aportado.

Há também uma luz de aviso intermitente: nada é dado antecipadamente, tudo se joga até ao fim e há grandes penalidades marcadas no último minuto em que o presente termina e se inicia o futuro.

Depois…Bem, depois é preciso tratar bem de tudo e de todos no presente e no futuro. Importante: é preciso que tudo e todos sejam bem tratados no presente e saibam que vão sê-lo igualmente no futuro.

A felicidade é um bem raro e precioso que o ser humano ama e decide a vida em sua função. Para se ser rei é preciso saber fazer feliz os outros. Se alguém o duvidar!

O futuro alicerça-se nesta premissa: garantir a felicidade hoje, garantir o presente num sorriso garantindo o futuro.

E o futuro acontecerá.

publicado por José Carlos Silva às 22:22 | link do post | comentar
Sexta-feira, 26.07.13

Boa Tarde

Foto de Olga Justo Louro II.

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publicado por José Carlos Silva às 14:35 | link do post | comentar
Quinta-feira, 25.07.13

Talvez o meu amigo tivesse razão…Talvez…

 

Um dia - quando a madrugada se aproximava e o dia se vencia: cansado, gasto, morto, derreado, perdido, pedindo por se despedir rapidamente, tal a quebreira que o atingira, - um amigo que muito prezo disse-me algo que eu sabia há muito, muito tempo mas não esqueci:

- «Quem faz o combate, quem alimenta a chama, paga um preço muito elevado. Há muito que sou sabedor desta realidade. Este é o princípio, a regra. Daí não existirem equívocos, ingenuidades em toda esta caminhada. Há, sim, que assumir a crua leitura do desenho das coisas e dos interesses ou melhor, das hipocrisias da política e da vida.»

Curioso foi a forma curiosa como o meu amigo achava as coisas. Ele achava que o melhor que lhe podia acontecer na vida era fazer «um hiato» na política. Mas essa inevitabilidade, esse «hiato», não sucedia da mera casualidade ou da mera consequência disto ou daquilo. Não. O meu amigo considerava mesmo imprescindível cometer essa heresia e desenhar no seu quotidiano o tal «hiato na política».

E porquê?

- «Entenda, meu caro amigo, pois é muito fácil de entender, só lhe reconhecem o valor, o seu real valor, quando está ou estiver longe da máquina partidária ou é mesmo avesso a essas tretas do partido ou dos partidos. Na caminhada para o poder, quando surge a hipótese de alternância, essas caraterísticas tornam-se atraentes, sugestivas, apelativas e motivadoras. Mesmo estando dentro, é sempre aliciante parecer que se está fora ou distante ou, melhor ainda, se posiciona em alas e pensamentos diversos e se é o elo unificador das diferentes correntes de ideias e interesses. Acredite. Ainda me há de dar razão.»

Talvez o meu amigo tivesse razão…Talvez…

In Diário, 31 de Agosto de 2009

publicado por José Carlos Silva às 22:41 | link do post | comentar
Domingo, 21.07.13

Continuarei a sorrir.

Engraçada a vida! SORRIR é ainda o melhor de tudo. Aliás, esse tem sido o peregrino conselho que tenho dado: Sorrir é purificante.

Sorrir e saber o lugar que ocupamos.

Diziam os meus – na sua singela e nobre humildade – que a coisa mais bonita era saber estar, depois de saber ser.

Naquela altura metia-me confusão. Hoje percebo-os. Percebo-os tão bem.

Um dia o meu pai deu-me um conselho: «Nunca queiras estar presente em locais, acontecimentos, reuniões, eventos, onde não sejas desejado. Não te vais sentir confortável.»

Disse-me outra coisa que nunca esqueci: «Ajuda sempre quem te ajudou, está sempre ao lado dos amigos e nunca desampares um amigo, pois as amizades verdadeiras são raras. E sorri quando um verdadeiro amigo se perde por labirintos e caminhos sem saída. Sorri apenas, pois o sorriso serena a alma e conduz à verdade.»

Ontem recordei essas sábias palavras de meu pai, vá lá saber-se a razão; ou será que algum meu amigo andará «perdido num labirinto e a percorrer caminhos ou becos sem saída?» Espero bem que não.

Eu continuarei a sorrir.

publicado por José Carlos Silva às 01:21 | link do post | comentar
Quinta-feira, 18.07.13

Boa noite

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publicado por José Carlos Silva às 21:25 | link do post | comentar
Segunda-feira, 15.07.13

Aviso

Poder? Uma palavra que seduz, encadeia e qual sereia provoca ilusões, desilusões, devaneios e verdadeiros combates numa arena nem sempre limpa de traições ou de falsos ideais.

Poder? Um sorriso ao serviço dos outros. Esta a essência. Obviamente.

Poder? Luta-se por ele uma vida e é com um terno sorriso que se assiste à sua quase conquista. Uma inevitabilidade.

Poder? A lembrança sempre presente de que a sua conquista terá de ser sempre um bem supremo e universal – de todos, portanto – e nunca de uns poucos ou a caminhada de nada valerá.

Poder? Um sorriso de um outono renascido em primavera de grito coletivo.

Poder? Poder de todos e nunca de esgares feitos sorrisos ou de desejos feitos lugares ao sol.

Poder? Poder de um só: do povo.

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publicado por José Carlos Silva às 21:52 | link do post | comentar

A boa disposição...a crença na vitória...

 
 

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publicado por José Carlos Silva às 15:21 | link do post | comentar

O Futuro é de todos. - Lá estaremos.

 

publicado por José Carlos Silva às 15:12 | link do post | comentar

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