Do poder e das suas aventuras e desventuras

O poder é uma aventura. O poder é uma desventura. Boa moeda. Má moeda.

A conquista do poder obedece a uma estranha liturgia: é do senso comum que o poder não se herda, sua-se as estopinhas para o saborear. O poder adorna-se de um sem fim de ladainhas e de imensos dias cinzentos pincelados de sorrisos forçados. O poder conquista-se quando partindo-se de um núcleo restrito de inquebrantáveis fiéis se constrói um projeto de longo prazo de forma estruturada e sustentada que termina na vitória. Este pequeno núcleo alarga-se, alarga-se, alarga-se, formando uma maré ganhadora e invencível; mesmo que seja preciso duas gerações ou mais para se cumprir o sonho.

Mas em política, mesmo em política, não pode haver Pecados Capitais, mesmo quando o sonho é cumprido. Cometer erros crassos mesmo após a obtenção do sonho, pode ter efeitos nefandos.

O esquecimento, em política, dói mais que uma bofetada. É quase como a arrogância e a humildade. A primeira leva ao derruir rápido do poder, enquanto o segundo o eterniza.

publicado por José Carlos Silva às 22:11 | link do post | comentar