O Poder Tornado Engano

Estes dias de aparente serenidade têm sido violentados pelo engano, o engano de uma campanha eleitoral enganadora, pois quem logrou vencer logo persistiu no engano, uma continuidade perversa do passado, ao nomear o Nelson Oliveira Chefe de Gabinete e ao manter como assessor o José Santalha (sogro do Nelson Oliveira). Engano que persistiu em esquecer o interesse do CAL e da Pista da Costilha, esquecendo as promessas eleitorais, de campanha, e fazendo de conta.

O poder é, na sua verdadeira liturgia, sinónimo de logro, de engano e de falta de cumprimento do prometido. O poder, raramente, é um ensaio da assunção da realidade, sendo, pois, a antítese do engano, espraiando-se na verdade ou naquilo que podemos considerar uma proximidade à verdade.

O poder é, na sua aceção mais pura, um instrumento do bem, a procura incessante de construir a cidade da perfeição. Contudo, é por todos - ou quase todos - assumido que o poder é a arte do possível, a face oculta da verdade, a noite sem lua cheia, o caminho estreito e repleto de curvas e contracurvas. O poder é mais que isto: ilusão e terreno minado.

O poder sobrepõe-se à própria realidade, quase sempre. É mais forte que o sexo e subestima a justiça tentando denega-la. O poder apresenta múltiplas faces, vestindo a limpidez da manhã ou o seu completo desacerto de sonho acinzentado, apresenta-se com a suavidade da tarde ou veste a sua imensa dor, assim como dança na claridade da noite amando a sua louca sedução como se embrenha no horror da sua negra perdição.

O poder é, por norma, desejado e por norma ninguém lhe pergunta que olhar dardeja ou quais as tentações de que se reveste. Ninguém pergunta, todos desejam o poder, pois é ele que risca o destino.

 

IN DIÁRIO, 27-12-2013

publicado por José Carlos Silva às 20:37 | link do post | comentar