Jogava em todos os tabuleiros, preferencialmente no do poder.

 

O que importava perder uma Câmara em mais de trezentas para ele ter tudo: riqueza, atenção, vaidade, honraria e poder?

 

«Malaquias Safadezas viu entrar Honorato da Silva, o poderoso homem de Arriscado de Cima, não fosse ele quem dominava o concelho, agitava as águas, mexia os cordelinhos, fazia acontecer,  quando assim era necessário. Jogava em todos os tabuleiros, preferencialmente no do poder e agora tinha o do poder nas suas mãos: o PSL era poder no país, liderava uma Coligação abrangente, maioritária, sedenta de mordomias e de manter as mãos, os pés e a cabeça no pote. Ora, tal assemelhava-o a um Deus, fato que Honorato da Silva era conhecedor, conseguindo  colocar o presidente da câmara, um socialista, a comer nas suas mãos: a necessidade obriga a coisas impensáveis! Honorato da Silva era, de fato, o Verdadeiro Poder em Arriscado de Cima: era-o sem ter sido sufragado pelo povo. De mestre! Melhor: de Maquiavel! Um erro político, rosnavam alguns infelizes! E depois? Desconheciam a vida, as suas vaidades, as suas honrarias e o seu preço. O que importava perder uma Câmara em mais de trezentas para ele ter tudo: riqueza, atenção, vaidade, honraria e poder? Se ele tudo mandava, o que importava?»

 

IN HONORATO DA SILVA, José CARLOS SILVA

publicado por José Carlos Silva às 12:46 | link do post | comentar