Terça-feira, 10.07.12

Casal

 

Casal viu-o nascer no exato momento em que a natureza se vestia de um manto verde e florescia num imenso parto de alegria. A esse tempo a aldeia revelava-se um quadro típico do desenho de Salazar: um mar infinito de gente pobre, inúmeras famílias de rostos numerosos e ínfimos lares de gente rica e filhos únicos ou diminutos descendentes. Um retrato oscilando numa assimetria atroz.

O casario cheirava a velho. Edifícios térreos, em pedra mal-amanhada, uns pequenos quintais, leiras ou pedaços de terra de onde tiravam alguns mimos (hortaliças, cenouras, batatas, tomates, etc.). Algumas árvores de fruto (castanheiros, laranjeiras, pessegueiros, macieiras, pereiras, etc.) e a ramada com as videiras estendendo os seus longos ramos pelos arames ferrugentos e gastos pela idade e pelo tempo.

Os acessos tornavam-se verdadeiros itinerários de cabras e outros animais. Minimamente apetecíveis de verão, só o pó os tornava detestáveis, eram verdadeiramente infernais no inverno. Os carreiritos – ou ligações rápidas – significavam, quantas vezes, a solução mais eficaz para alcançar o destino desejado.

Só o fim do século vinte daria a Casal ruas felizes e acesos sorridentes, fato que seria assinalado com um arraial popular de tal grandeza que a noite foi curta e a festa irradiou pelo dia seguinte numa alegria infinita.

Havia casas de sorriso austero, enfiadas em grandes muros e portentosos portões. Nos muros apareciam pedras de armas e os portões eram de ferro forjado. Estas casas eram quase todas antigas, do século dezoito ou até de data mais recuada. Nestas casas habitavam os senhores de Casal, aqueles que mandavam, aqueles que tinham as terras, as quintas, os senhores. Nestas casas viviam aqueles a quem todos tiravam o chapéu. Isso só terminou com aquela história dos cravos nas armas dos soldados naquele dia vinte e cinco de abril de mil novecentos e setenta e quatro. Curioso é que os mais velhos continuaram a tirar o chapéu aos senhores de Casal, como sempre tinham tirado, tal o hábito estava entranhado no sangue e nas rotinas.

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publicado por José Carlos Silva às 20:07 | link do post | comentar

É NO QUE DÁ EM QUERER PRIVATIZAR A RTP.

Dossiê de Relvas sem comprovativos da avaliação

Documentos disponibilizados aos jornalistas pela Lusófona não indicam nomes de professores nem têm referências aos exames que terão sido feitos pelo ministro. Clique para visitar o dossiê Lusófona

Isabel Leiria e Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)


Os documentos que os jornalistas puderam consultar sobre a atribuição da licenciatura em Ciência Política ao ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares nada dizem sobre as que datas em que Miguel Relvas prestou provas na Universidade Lusófona, os nomes dos professores que o avaliaram ou as notas obtidas nos diferentes momentos de avaliação previstos.

Clique para aceder ao índice do Dossiê Lusófona

Também não se encontra no dossier nenhum comprovativo da realização da cadeira de Ciência Política e Direito Constitucional na Universidade Livre, a única que Miguel Relvas tinha concluído quando apresentou a sua candidatura à Lusófona, em 2006.

Apesar de não ter mais nenhuma disciplina feita, a instituição de ensino acabou por dar equivalência a 32 das 36 cadeiras que compõem o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, justificando-o com a "elevada experiência profissional que se reparte por três domínios: cargos públicos, funções políticas e nos domínios empresariais e de intervenção social e cultural".

O parecer de três páginas - assinado por Fernando dos Santos Neves, então reitor da Universidade, e José Feliciano, na altura diretor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Lusófona - que sustenta estas equivalências tece considerações genéricas sobre a forma como o percurso profissional de Miguel Relvas lhe foi dando competências e conhecimentos nos vários domínios científicos do curso.

Nesse sentido, propõe a atribuição de 160 créditos (num total de 180) por todo o percurso de vida do agora ministro, sem especificar que cargo específico dava direito a dispensar a determinada cadeira. No entanto, no processo do ministro não constam todos os comprovativos dos cargos exercidos ou as datas durante as quais exerceu essas funções.

O despacho que formaliza a atribuição das equivalências é assinado novamente por Fernando dos Santos Neves, não havendo referência nos documentos consultados a qualquer intervenção de outros órgãos da instituição, nomeadamente de uma comissão científica que normalmente valida estas creditações.

O Expresso só hoje de manhã conseguiu consultar o dossier do ministro Miguel Relvas nas instalações da Lusófona. Tal como os restantes órgãos de comunicação social teve apenas meia hora para o fazer.



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/dossie-de-relvas-sem-comprovativos-da-avaliacao=f738697#ixzz20F5PeDNC

publicado por José Carlos Silva às 18:40 | link do post | comentar

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