Greves

 

 

 

 Primeiro foram esses pobres e desgraçados dos pilotos da TAP e dos controladores aéreos que têm como salário mensal médio nove mil euros. Agora, foram os médicos, outra espécie pobre e lastimosa que tem salários que vão dos dois mil aos cinco mil euros, só no serviço público. O que têm duas classes em comum? Ganhar mal? Desemprego? Não. As únicas coisas que têm em comum é que fazem parte daqueles portugueses que vivem com um emprego estatal, não sofrem do mal do desemprego e ganham muito acima da média dos portugueses.

Greves II. Afinal, porque é que os médicos fazem greve? O que a Ordem dos Médicos não disse, porque não lhes interessa, é que eles ganhavam, por cada hora extraordinária, 80 euros e o Ministro da Saúde decidiu reduzir esse valor para 30 euros. Para além de abater esse valor, o Ministro tem persistido em modelos de organização que reduzem o número de horas extras que os médicos fazem. Portanto, este é o verdadeiro fundamento pelo qual os médicos fazem greve. Para que se perceba como funcionava (e ainda funciona) o sistema nacional de saúde, há um médico no Algarve que recebeu 750 mil euros num ano.

Greves III. Afinal, fará algum sentido, num país que faliu e que só continua a pagar salários porque a Troika nos emprestou dinheiro, que os médicos aufiram 80 euros por hora extraordinária, quando há mais de um milhão de pessoas que ganham pouco mais do que isso por semana? Faz sentido, numa altura em que os sacrifícios tocam a todos, que os médicos e os pilotos da TAP sejam os únicos a não sofrer com isso? É triste que, enquanto uma grande parte da população luta contra empregos precários e desemprego, os médicos e os pilotos da TAP, que têm o lugar garantido e sem desemprego na sua profissão, se dediquem a fazer greves para manter os seus privilégios, prejudicando aqueles que já são muito lesados todos os dias. Decência, é o que lhes falta.

 

Francisco Coelho da Rocha, verdadeiro olhar

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publicado por José Carlos Silva às 14:03 | link do post | comentar