Segunda-feira, 15.10.12

Não se lamentem, trabalhem: façam política de proximidade e deixem Passos Coelho em paz.

Berta Cabral perdeu as eleições regionais nos Açores. Assumiu com galhardia a derrota. E seguiu em frente sem dramas. Uma das coisas que admiro nas mulheres, enquanto mulheres públicas (políticas) ou simplesmente donas de casa: sagazmente práticas.

 

Berta Cabral centrou toda a pré-campanha e campanha eleitoral na sua figura política, na sua experiência, na sua energia e no seu sentir de Açoriana. Não quis saber do partido, do PSD para nada, acolhendo no derradeiro dia Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Moreira de Sá e mesmo com dois senadores e a alma de Passos Coelho presentes, Berta Cabral desferiu rudes golpes à política do PSD e do governo, mais parecendo o candidato do PS do que uma figura de proa de um partido que governa o país.

 

Berta Cabral, assumiu, pois, deliberadamente e frontalmente uma estratégia de distanciamento das políticas governativas, julgando assim capitalizar junto do eleitorado Açoriano. Estranhamente a estratégia redundou em fracasso.

 

Carlos César e a sua trupe foram audazes e perspicazes e encarregaram-se de fazer o trabalho de casa. E fizeram-no bem feito. Mereceram a vitória. Vasco Cordeiro limitou-se a colher os frutos da sementeira.

Esta é a verdade.

 

Hoje ao ler a imprensa fiquei perplexo: os autarcas laranjas estão em estado de choque e querem que Passos Coelho os salve do sismo anunciado.

Só não desato à gargalhada porque o caso é grave e sou amigo de alguns. Mas que é caricato, lá isso é! Acordaram agora? Estavam à espera de quê? Estão à espera de quê? De Passos Coelho? De Matos Rosa? De Deus?

 

Os autarcas – de A a Z, laranjas ou rosas, bloquistas ou comunistas – habituaram-se durante décadas a uma e intrincada teia de princípios basilares que resolviam todos os seus dilemas: nas horas mais aflitivas existia sempre uma escapatória, surgiam sempre uns milhares para um projeto, umas obras que eram contempladas com dinheiros do QUREN, a possibilidade de admitir mais trinta ou quarenta funcionários, a recuperação de uma frente ribeirinha e a criação de um parque de merendas; surgia sempre algo de novo e em ano eleitoral, era essencial delinear os projetos atempadamente e tudo aparecia.

 

Agora não há nada. Não há dinheiro. Não obras para fazer inaugurações. Inaugurar – seja o que for – é tido como um atentado à miséria, à fome, à desgraça, ao desemprego. Uma chatice! E o autarca adora inaugurar. O candidato, não falemos! Mas agora é perigoso, contraproducente! Uma chatice!

Ora, pelos vistos, a culpa é de Passos Coelho. Pelos Vistos! Foi Passos Coelho que colocou Portugal na ruína!

 

Os autarcas portugueses até se esquecem das suas responsabilidades nesta matéria!

 

Os autarcas laranjas estão com medo? Mas não deviam. Façam como Carlos César: façam o trabalho de casa, preparem-se atempadamente para o que aí vem. As eleições são em outubro de 2013, em vez de berrarem pelo pai Passos, tratem da vidinha, façam o que têm de fazer: política. Carlos César e a sua trupe assim fizeram e Cordeiro venceu. Aprendam com os bons exemplos: não se lamentem, trabalhem: façam política de proximidade e deixem Passos Coelho em paz.

publicado por José Carlos Silva às 21:56 | link do post | comentar

Fim de tarde

publicado por José Carlos Silva às 19:18 | link do post | comentar

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