Cegueira

Sei, há muito tempo, há décadas, desde tenra idade, que o destino se faz de sombras. Contudo há teatros de sombras que se tornam diariamente ridículos e caricatos.

Sei que a vida está visceralmente atroz. Não sou autista. Nunca o fui. Sei que há fontes seguras que não se podem – nem devem – menosprezar. Sei de tudo isso.

Sei, igualmente, que a subserviência é um caminho labiríntico e ambíguo ao ponto do não retorno.

Não quero acreditar que persistir ainda suspenso no tempo o cravo que o menino enfiou no cano da árvore. Não quero crer que cristalizou!

Sei que o conhecimento do mundo é uma vantagem mas também uma pérfida desvantagem. Inibe sempre. Mais do que permite tomar decisões.

Sei que o tempo – este tempo é complicado. Para todos. Não entendo é que se arrisque tudo numa cega confiança num resultado que não se conhece. E depois?

Sei que há aqueles que nada têm a perder. Caminharam. Viram. Provaram. Estão expetantes e confiantes. É natural.

Sei que há outros que entraram – há muito (e estão em fase de acelerado desconcerto) – na síndroma da proximidade eminente da perda do palco.

E porque é que sei?

Porque a violência com que transmitem os seus ideais, as suas ideias – não os seus projetos políticos (não lhos conheço, nunca conheci) – não augura nada de bom. A crónica do presidente da JS Lousada, no TVS, é um exemplo acabado de toda a problemática que acabei de expor.

A verdade é que revela um desespero que fico abismado. Um jovem a quem sempre destinei as maiores venturas…Aconselho a uma mudança de estratégia, na escrita, ou corre o risco de prejudicar seriamente, assim como o seu candidato à Câmara, Pedro Machado. Ou é preciso lembrar-lhe que o seu PS nunca venceu em Lousada por causa dos socialistas, mas por causa de…Sabemos todos. Eu, se estivesse no seu lugar pousava a pena e dedicava-me a assobiar. É melhor…

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publicado por José Carlos Silva às 19:12 | link do post